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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
IME Pre-Conference Workshop: "Re-Presenting Disability" by Dr. Richard Sandell
Quem quiser também pode consultar o livro:
Re-Presenting Disability
Richard Sandell, Jocelyn Dodd, Rosemarie Garland-Thomson
Routledge
ISBN: 978-0-415-49473-1
£23,99
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Opening the Door to the Entire Community. How Museums are using Permanent Collections to Engage Audiences

Summary:
Museums can better serve their communities and attract a more diverse mix of visitors by using their permanent collections more creatively. This Wallace-commissioned report, the first in a three-part series, shows how careful research and informed strategic planning helped several museums to reframe their permanent collections, launch innovative programming and take an active role in issues that affect their audiences’ neighborhoods.
Published: November 1998, 37 pages
Publishing Organization: The Wallace Foundation
Document Type: Report
Descarregue PDF aqui!
Services to People: Challenges and Rewards. How Museums Can Become More Visitor-Centered

Summary:
This Wallace-commissioned report, the last in a series of three, explains how museums can provide a welcoming, satisfying environment that attracts large numbers of visitors without compromising high standards of presentation and scholarship. It examines how museums have reorganized operations or created new departments, trained staff to interact with people, upgraded ticket and admission services, improved training and used audience research to make themselves desirable places for first-time and return visits.
Published: April 2001, 67 pages
Publishing Organization: The Wallace Foundation
Document Type: Report
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Engaging the Entire Community: A New Role for Permanent Collections

Summary:
Museums may be able to increase their audiences if they respond to their communities through new activities and innovative programs. This Wallace-commissioned report, the second in a three-part series, profiles four museums that augmented their permanent collections with pioneering outreach efforts — such as teen councils, local business partnerships and public art projects — to attract new regular visitors. Such strategies can help museums increase satisfaction among their staff and the public, enhance their offerings and cultivate donor support.
Published: February 1999, 33 pages
Publishing Organization: The Wallace Foundation
Document Type: Report
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quinta-feira, 26 de março de 2009
O paradigma na construção de novas missões museológicas
Any casual visitor to museums in Britain would assume that disabled people occupied a specific range of roles in the nation’s history. The absence of disabled people as creators of arts, in images and in artefacts, and their presence in selected works reinforcing cultural inclusion stereotypes, conspire to present narrow perspective of the existence of disabled people? In my opinion it is time that museums were more proactive in looking for what their collections hold, digging out the information buried in the footnotes and re-instating the identity of the celebrated and ordinary disabled people in their purview. Disabled people should be brought into the museum and supported in understanding where they existed in the past, to reinforce their right to belong in the present. Non-disabled people should be informed, through clear factual labelling and positive images, to see disabled people as having always been there – and often to societies benefit (Dodd e Sandell, 2001:33).
O papel social dos museus tem-se apresentado como uma crescente preocupação por parte dos profissionais e das instituições museológicas, constituindo um novo desafio, resultante do alargamento do conceito de públicos, dos programas dos serviços educativos, da renovação dos projectos museológicos e discursos museográficos assim como da disposição arquitectónica dos espaços e edifícios. Gilles Grandjean (Fondation, 1991:101-106) afirma que os museus têm de compreender a natureza insubstituível do seu papel e do seu imenso potencial na possibilidade de oferecer satisfação aos públicos com deficiência. Sem dúvida, estas questões obrigam a que uma nova visão museológica se cruze, inevitavelmente, com a questão da revitalização do conceito de museu, que passa em grande parte pela sua difusão “além paredes”.
Os museus ocupam um lugar paradoxal na cultura. Para que servem? Qual o seu objectivo na sociedade contemporânea? Nos últimos anos tem-se assistido a uma busca incessante pelo aumento de públicos. Ainda assim, os museus continuam a falhar no incremento do número de visitantes, principalmente na atracção de minorias e na competição com outros espaços de lazer. Estas questões obrigam os profissionais de museus e pensar menos na conservação e mais nas missões dos serviços de educação e dos próprios museus. A função social dos museus tem potencial e competências para desempenhar funções sociais. Coleccionar, preservar e expôr não poderão ser um fim em si, mas um meio de desempenhar um papel social, facilitando o acesso à cultura.
Nascido da sociedade ocidental, o Museu afirmou-se como uma criação cultural urbana cuja função e importância é desde sempre interrogada, paralelamente à sua progressiva afirmação de lugar de cultura, de conhecimento, de ilusão e de metáfora do mundo, de ressonância de poder (…) O Museu oferece-se como um campo de representação onde é possível constatar, analisar e reflectir sobre questões que atravessam verticalmente a sociedade contemporânea (Guimarães, 2004:17-18).
Desde 1980, assiste-se a uma mudança de natureza e de conceito, a uma maior harmonia entre a teoria social e as práticas museológicas (Macdonald, 1996). O Museu actual assume vários papéis: lazer, educacional, cultural, social. É um símbolo da comunidade, com um estatuto legitimador e possuidor de características dinâmicas. Os Museus, em conjunto com a antropologia e a sociologia, colaboram na formação da modernidade. Pode e deve ser entendido como um local onde o mundo é realidade, ganhando, desta forma, importância no contexto do desenvolvimento, em termos de afirmação de identidade cultural e de manifestação do seu potencial educativo (Prösler, 1996). Não é, igualmente, novidade para estas instituições, a necessidade de mudança, à qual têm sido expostos, no decorrer das últimas décadas, ao nível da sua organização, gestão, recursos ou actividades (Sandell, 2002:46-47).
A nova visão museológica preocupa-se com os públicos e planeia a sua projecção social. Envolve-se em filosofias democráticas, prevenindo-se contra o escrutínio do público e desenvolve estratégias de marketing, de forma a alterar as tendências, em prol das necessidades das diversas audiências, cada vez mais exigentes e conscientes dos seus direitos enquanto público cultural. Cabe aos museus conseguir comunicar com todos os seus públicos, de forma correcta e assídua. Tal como Eilean Hooper-Greenhill (2005) verbaliza, os museus têm de comunicar ou acabarão por enfrentar a sua própria “morte”.
Estabeleceu-se a oposição entre “nós” e “outro”, sendo o primeiro referente ao visitante-tipo e o segundo a todos os que não se enquadram nesse conceito.
A estrutura mental do “outro” faz parte da sociedade desde os primórdios da civilização. É um conceito criado a partir da negação. Ou seja, o “outro” é aquele que não é “nós” (aquele que não é branco; que não é católico; que não é europeu; que não é saudável, que não é fisicamente perfeito…). Por outro lado, a noção de “nós” nasceu, igualmente, com a construção de um sistema cronológico que suporta a “nossa visão de nós próprios”, (Hooper-Greenhill, 1997:29): Nós / Outro; Cristão / Pagão; Clássico / Bárbaro; Homem / Mulher; Branco / Negro; Razão / Magia; Conhecimento / Ignorância; Moralidade / Imoralidade; Progresso / Estático e Cultura / Natureza.
Quando se transporta essa percepção para a vida social e cultural, aplica-se-lhe uma compreensão ética e criam-se áreas especiais para grupos de pessoas específicos. Desta forma, a noção de acessibilidade está presente, independentemente de ter uma aplicabilidade correcta, ou, pelo contrário, de estimular, ainda mais, a exclusão através da promoção do preconceito, da xenofobia, do racismo e da discriminação que elevaram barreiras culturais intransponíveis nestes micro-ambientes que são os museus e outros centros de arte (Agyeman e Kinsman, 1997).
Os museus têm o dever social de articular a cultura com todas as pessoas, inclusive com os “outros”, combatendo o monocentrismo instalado que nega a pluralidade, eliminando o medo pelo desconhecido com a noção de que não existem audiências passivas. Estas, como já se referiu, são diversificadas e autoritárias, no que concerne a aplicação e valência dos seus direitos, enquanto membros de uma sociedade activa e multicultural. Os museus, especialmente os que usufruem de fundos públicos, devem ser relevantes para todos os membros da sociedade, para todos os que contribuem para a continuação do seu funcionamento. Os museus devem estabelecer os seus objectivos em consonância com as necessidades de todos os indivíduos, devendo dar primazia aos objectivos sociais e não aos culturais (Dodd e Sandell, 2001).
Neste seguimento, os profissionais de museus já tomaram consciência que os museus têm de ter relevância de forma a cativarem as populações diversificadas. É imperativo estarem atentos às necessidades das comunidades. Para isso, é necessário estabelecer contacto, envolver e atrair novos públicos. É fundamental tornar o museu acessível, física e intelectualmente, e encorajar as novas práticas museológicas.
A distinção entre os vários públicos dos museus deve ser estabelecida. Os museus devem tomar em conta aspectos que os ligam a cada um desses públicos, como um todo. Não deve, no entanto, procurar elos de ligação com as características do indivíduo em particular. Merriman estabelece cinco tipos de visitantes de Museus: os que o museu já conquistou e mantém, as pessoas que normalmente não visitam museus, os alunos e professores (público escolar), os turistas e os profissionais de museus. Já Hargreaves subdivide os públicos em três simples categorias: os frequentes (pelo menos três visitas/ano), os ocasionais (duas ou menos visitas/ano) e os não participantes.
Hargreaves estabelece ainda seis parâmetros que devem ser considerados para cativar e manter esses mesmos públicos. Segundo este pensador, são estes os motivos que levam um adulto a visitar um museu, sendo eles: a interacção social, ir ao museu para estar / conviver com as pessoas; para fazer qualquer coisa que “valha a pena”; para se sentir confortável; para ter uma nova experiência / desafio; para ter a oportunidade de aprender algo novo ou, simplesmente, por participação activa; acrescenta ainda que se resolveriam muitos problemas de audiência “ se reconhecêssemos que os participantes ocasionais e os não participantes procuram experiências e recompensas diferentes daquelas que actualmente encontram nos museus. Se os queremos a adorar museus, temos de lhes oferecer alguns dos valores que para eles são importantes, em programas que vão de encontro com algumas das suas necessidades, enquanto se continua a providenciar o que os visitantes frequentes já acham satisfatório e recompensador” .
Igualmente, na sua perspectiva, existem, grupos sub-representados, encontrando-se em primeiro lugar, de forma destacada, o grupo constituído pelas pessoas com deficiência. Tal como refere, it is impossible to underestimate the importance of addressing the needs of people with disabilities as part of mainstream gallery position (Hooper-Greenhill, 1997:191), seguidas pelos jovens entre os 13 e os 23 anos, os negros e minorias étnicas e, por último, os grupos familiares, idosos, mulheres e estudantes (Hooper-Greenhill, 1997).
Os museus têm um importante papel para a “união” social promovendo o aumento da auto-estima, tanto a nível individual como colectivo, enquadrando os seus visitantes enquanto membros de uma sociedade. No entanto, para isso, necessitam obrigatoriamente de se envolver com os públicos que pretendem alcançar, precisam de entender os seus objectivos e aspirações, criando práticas culturais inclusivas. Se assim não for, correm sérios riscos de se converterem socialmente em locais “negativos”, ajudando, desta forma, à promoção da marginalização. Apesar da alteração de atitudes em relação ao papel social e às responsabilidades que os museus devem ter, muitos museus continuam a manter uma actividade centrada nas suas colecções, na gestão e criação das mesmas. Essa atitude pode e deve ser mantida, no entanto, é imprescindível que o museu mantenha um “pé no passado”, mas consiga, igualmente, colocar um “olho no futuro”.
Os museus têm a responsabilidade social de atrair audiências, qualquer que seja o seu background, no entanto, muitos profissionais de museus não estão bem cientes do significado que acopla a diversidade cultural e dos desafios e oportunidades que estas diversidades podem trazer aos museus (Dodd e Sandell, 2001:103).
Tal como se referiu, os museus para além do papel educativo e cultural têm ainda uma grande responsabilidade social, devendo ser completamente integradores para que os visitantes com deficiência possam usufruir ao máximo da exposição e da sua interpretação. Desde muito cedo que o Disability Discrimination Act (DDA), proibiu a prestação de qualquer serviço que fuja da razoabilidade na dificuldade do seu uso. “Museums, as service providers, must therefore take reasonable steps to change any policy, practice, procedure or physical layout which makes it impossible or difficult for a disabled person to use the service, and must provide auxiliary aids to make the service easier to use” (Nolan, 1997:1).
Da mesma forma, a preocupação pela inclusão deve abranger vários sectores e não apenas as barreiras físicas. Estas são fundamentais mas não são as únicas que podem levar ao afastamento de públicos. E, também, devem ser considerados todos os tipos de deficiência, e não, apenas, a “tradicional” cadeira-de-rodas, ainda que exista a deficiência física, esta não implica obrigatoriamente que seja referente aos membros inferiores.
A deficiência é muito mais abrangente do que tradicionalmente se considera, quando se encara a eliminação de barreiras e a inclusão de públicos com necessidades especiais. As barreiras de comunicação são tão frustrantes como as físicas, já para não se falar nas barreiras sociais e de preconceitos.
O papel social dos museus tem-se apresentado como uma crescente preocupação por parte dos profissionais e das instituições museológicas, constituindo um novo desafio, resultante do alargamento do conceito de públicos, dos programas dos serviços educativos, da renovação dos projectos museológicos e discursos museográficos assim como da disposição arquitectónica dos espaços e edifícios. Gilles Grandjean (Fondation, 1991:101-106) afirma que os museus têm de compreender a natureza insubstituível do seu papel e do seu imenso potencial na possibilidade de oferecer satisfação aos públicos com deficiência. Sem dúvida, estas questões obrigam a que uma nova visão museológica se cruze, inevitavelmente, com a questão da revitalização do conceito de museu, que passa em grande parte pela sua difusão “além paredes”.
Os museus ocupam um lugar paradoxal na cultura. Para que servem? Qual o seu objectivo na sociedade contemporânea? Nos últimos anos tem-se assistido a uma busca incessante pelo aumento de públicos. Ainda assim, os museus continuam a falhar no incremento do número de visitantes, principalmente na atracção de minorias e na competição com outros espaços de lazer. Estas questões obrigam os profissionais de museus e pensar menos na conservação e mais nas missões dos serviços de educação e dos próprios museus. A função social dos museus tem potencial e competências para desempenhar funções sociais. Coleccionar, preservar e expôr não poderão ser um fim em si, mas um meio de desempenhar um papel social, facilitando o acesso à cultura.
Nascido da sociedade ocidental, o Museu afirmou-se como uma criação cultural urbana cuja função e importância é desde sempre interrogada, paralelamente à sua progressiva afirmação de lugar de cultura, de conhecimento, de ilusão e de metáfora do mundo, de ressonância de poder (…) O Museu oferece-se como um campo de representação onde é possível constatar, analisar e reflectir sobre questões que atravessam verticalmente a sociedade contemporânea (Guimarães, 2004:17-18).
Desde 1980, assiste-se a uma mudança de natureza e de conceito, a uma maior harmonia entre a teoria social e as práticas museológicas (Macdonald, 1996). O Museu actual assume vários papéis: lazer, educacional, cultural, social. É um símbolo da comunidade, com um estatuto legitimador e possuidor de características dinâmicas. Os Museus, em conjunto com a antropologia e a sociologia, colaboram na formação da modernidade. Pode e deve ser entendido como um local onde o mundo é realidade, ganhando, desta forma, importância no contexto do desenvolvimento, em termos de afirmação de identidade cultural e de manifestação do seu potencial educativo (Prösler, 1996). Não é, igualmente, novidade para estas instituições, a necessidade de mudança, à qual têm sido expostos, no decorrer das últimas décadas, ao nível da sua organização, gestão, recursos ou actividades (Sandell, 2002:46-47).
A nova visão museológica preocupa-se com os públicos e planeia a sua projecção social. Envolve-se em filosofias democráticas, prevenindo-se contra o escrutínio do público e desenvolve estratégias de marketing, de forma a alterar as tendências, em prol das necessidades das diversas audiências, cada vez mais exigentes e conscientes dos seus direitos enquanto público cultural. Cabe aos museus conseguir comunicar com todos os seus públicos, de forma correcta e assídua. Tal como Eilean Hooper-Greenhill (2005) verbaliza, os museus têm de comunicar ou acabarão por enfrentar a sua própria “morte”.
Estabeleceu-se a oposição entre “nós” e “outro”, sendo o primeiro referente ao visitante-tipo e o segundo a todos os que não se enquadram nesse conceito.
A estrutura mental do “outro” faz parte da sociedade desde os primórdios da civilização. É um conceito criado a partir da negação. Ou seja, o “outro” é aquele que não é “nós” (aquele que não é branco; que não é católico; que não é europeu; que não é saudável, que não é fisicamente perfeito…). Por outro lado, a noção de “nós” nasceu, igualmente, com a construção de um sistema cronológico que suporta a “nossa visão de nós próprios”, (Hooper-Greenhill, 1997:29): Nós / Outro; Cristão / Pagão; Clássico / Bárbaro; Homem / Mulher; Branco / Negro; Razão / Magia; Conhecimento / Ignorância; Moralidade / Imoralidade; Progresso / Estático e Cultura / Natureza.
Quando se transporta essa percepção para a vida social e cultural, aplica-se-lhe uma compreensão ética e criam-se áreas especiais para grupos de pessoas específicos. Desta forma, a noção de acessibilidade está presente, independentemente de ter uma aplicabilidade correcta, ou, pelo contrário, de estimular, ainda mais, a exclusão através da promoção do preconceito, da xenofobia, do racismo e da discriminação que elevaram barreiras culturais intransponíveis nestes micro-ambientes que são os museus e outros centros de arte (Agyeman e Kinsman, 1997).
Os museus têm o dever social de articular a cultura com todas as pessoas, inclusive com os “outros”, combatendo o monocentrismo instalado que nega a pluralidade, eliminando o medo pelo desconhecido com a noção de que não existem audiências passivas. Estas, como já se referiu, são diversificadas e autoritárias, no que concerne a aplicação e valência dos seus direitos, enquanto membros de uma sociedade activa e multicultural. Os museus, especialmente os que usufruem de fundos públicos, devem ser relevantes para todos os membros da sociedade, para todos os que contribuem para a continuação do seu funcionamento. Os museus devem estabelecer os seus objectivos em consonância com as necessidades de todos os indivíduos, devendo dar primazia aos objectivos sociais e não aos culturais (Dodd e Sandell, 2001).
Neste seguimento, os profissionais de museus já tomaram consciência que os museus têm de ter relevância de forma a cativarem as populações diversificadas. É imperativo estarem atentos às necessidades das comunidades. Para isso, é necessário estabelecer contacto, envolver e atrair novos públicos. É fundamental tornar o museu acessível, física e intelectualmente, e encorajar as novas práticas museológicas.
A distinção entre os vários públicos dos museus deve ser estabelecida. Os museus devem tomar em conta aspectos que os ligam a cada um desses públicos, como um todo. Não deve, no entanto, procurar elos de ligação com as características do indivíduo em particular. Merriman estabelece cinco tipos de visitantes de Museus: os que o museu já conquistou e mantém, as pessoas que normalmente não visitam museus, os alunos e professores (público escolar), os turistas e os profissionais de museus. Já Hargreaves subdivide os públicos em três simples categorias: os frequentes (pelo menos três visitas/ano), os ocasionais (duas ou menos visitas/ano) e os não participantes.
Hargreaves estabelece ainda seis parâmetros que devem ser considerados para cativar e manter esses mesmos públicos. Segundo este pensador, são estes os motivos que levam um adulto a visitar um museu, sendo eles: a interacção social, ir ao museu para estar / conviver com as pessoas; para fazer qualquer coisa que “valha a pena”; para se sentir confortável; para ter uma nova experiência / desafio; para ter a oportunidade de aprender algo novo ou, simplesmente, por participação activa; acrescenta ainda que se resolveriam muitos problemas de audiência “ se reconhecêssemos que os participantes ocasionais e os não participantes procuram experiências e recompensas diferentes daquelas que actualmente encontram nos museus. Se os queremos a adorar museus, temos de lhes oferecer alguns dos valores que para eles são importantes, em programas que vão de encontro com algumas das suas necessidades, enquanto se continua a providenciar o que os visitantes frequentes já acham satisfatório e recompensador” .
Igualmente, na sua perspectiva, existem, grupos sub-representados, encontrando-se em primeiro lugar, de forma destacada, o grupo constituído pelas pessoas com deficiência. Tal como refere, it is impossible to underestimate the importance of addressing the needs of people with disabilities as part of mainstream gallery position (Hooper-Greenhill, 1997:191), seguidas pelos jovens entre os 13 e os 23 anos, os negros e minorias étnicas e, por último, os grupos familiares, idosos, mulheres e estudantes (Hooper-Greenhill, 1997).
Os museus têm um importante papel para a “união” social promovendo o aumento da auto-estima, tanto a nível individual como colectivo, enquadrando os seus visitantes enquanto membros de uma sociedade. No entanto, para isso, necessitam obrigatoriamente de se envolver com os públicos que pretendem alcançar, precisam de entender os seus objectivos e aspirações, criando práticas culturais inclusivas. Se assim não for, correm sérios riscos de se converterem socialmente em locais “negativos”, ajudando, desta forma, à promoção da marginalização. Apesar da alteração de atitudes em relação ao papel social e às responsabilidades que os museus devem ter, muitos museus continuam a manter uma actividade centrada nas suas colecções, na gestão e criação das mesmas. Essa atitude pode e deve ser mantida, no entanto, é imprescindível que o museu mantenha um “pé no passado”, mas consiga, igualmente, colocar um “olho no futuro”.
Os museus têm a responsabilidade social de atrair audiências, qualquer que seja o seu background, no entanto, muitos profissionais de museus não estão bem cientes do significado que acopla a diversidade cultural e dos desafios e oportunidades que estas diversidades podem trazer aos museus (Dodd e Sandell, 2001:103).
Tal como se referiu, os museus para além do papel educativo e cultural têm ainda uma grande responsabilidade social, devendo ser completamente integradores para que os visitantes com deficiência possam usufruir ao máximo da exposição e da sua interpretação. Desde muito cedo que o Disability Discrimination Act (DDA), proibiu a prestação de qualquer serviço que fuja da razoabilidade na dificuldade do seu uso. “Museums, as service providers, must therefore take reasonable steps to change any policy, practice, procedure or physical layout which makes it impossible or difficult for a disabled person to use the service, and must provide auxiliary aids to make the service easier to use” (Nolan, 1997:1).
Da mesma forma, a preocupação pela inclusão deve abranger vários sectores e não apenas as barreiras físicas. Estas são fundamentais mas não são as únicas que podem levar ao afastamento de públicos. E, também, devem ser considerados todos os tipos de deficiência, e não, apenas, a “tradicional” cadeira-de-rodas, ainda que exista a deficiência física, esta não implica obrigatoriamente que seja referente aos membros inferiores.
A deficiência é muito mais abrangente do que tradicionalmente se considera, quando se encara a eliminação de barreiras e a inclusão de públicos com necessidades especiais. As barreiras de comunicação são tão frustrantes como as físicas, já para não se falar nas barreiras sociais e de preconceitos.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Museus Inclusivos contra a Exclusão Social
Vivemos numa época em que, diariamente, somos confrontados com o ritmo acelerado de transformações sociais que fazem mudar, de modo por vezes quase imperceptível, os comportamentos, as mentalidades e as próprias necessidades dos agentes e das instituições (Ruivo, 2002:13)
Segundo o Instituto Português de Museus (IPM) apenas 20 dos 120 museus portugueses "têm projectos em curso" para pessoas com deficiência, tais como exposições complementadas com audioguias, textos escritos em Braille, instalações com rampas ou elevadores e materiais pedagógicos específicos.
Como já referido, apesar da existência de uma vasta legislação e um enquadramento jurídico que apoia a inclusão, na verdade, os direitos praticados pelas instituições nem sempre obedecem às normas. Tal como refere Ruivo, o direito realmente praticado num processo-acção leva muitas vezes as instituições a obedecerem a sistemas contraditórios de ordem e poder. Até, porque, as instituições tendem a actuar sob sistemas que pretendem atrair audiências enquanto as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS’s) ficam com a responsabilidade do combate à exclusão social.
Tal como refere Caroline Lang (Dodd e Sandell, 2001), Museums and galleries have a significant role to play in promoting social inclusion. A inclusão / exclusão social são conceitos relativamente recentes, a sua origem remonta à década de setenta do século XX, aquando o seu uso em França, para nomear aqueles que não estavam contemplados na Segurança Social, desde aí, o conceito tem vindo a alargar-se e a integrar-se nas várias áreas (social, política, cultural, etc.), significando a desvantagem e desigualdade e acomodando-se a outros conceitos, como a marginalização, pobreza , etc. Simultaneamente, a sua aplicação vulgarizou-se e expandiu-se, ainda que mantenha características estáticas nas várias aplicações do termo (Dodd e Sandell, 2001).
A exclusão social encontra-se intimamente ligada a uma série de elementos, características que normalmente se combinam, como sendo o desemprego, marginalidade, más condições de vida, pobreza e problemas de saúde. Numa aplicação mais direccionada, a nível individual ou de grupo, indica o não acesso a bens, direitos ou serviços, nos diversos aspectos vivenciais, adquirindo uma dimensão cruzada a nível económico, social, politico e cultural.
Parafraseando Dodd e Sandell (2001:14), when the new elite says we must tackle social exclusion such a statement could mean a lot of different things. “Social exclusion” sound like a nasty thing because of its vague association with poverty and deprivation. However, like most key terms in the language of the new elite, “social exclusion” is a radically subjective concept. Anybody can be socially excluded if they feel that way, or what is more often the case, if the new elite thinks they should feel that way. Na prática, os museus enfrentam dificuldades em adaptar as suas colecções a públicos diversificados e se não o fizerem serão acusados de sobrevalorizar as colecções em detrimento das pessoas. Contudo, social exclusion is about the inability of our society to keep all groups and individuals within the reach of what we expect as a society. It is about the tendency to push vulnerable and difficult individuals into the least popular places, furthest away from our common aspirations (Dodd e Sandell, 2001:103).
Ao longo dos últimos anos, os museus têm dilatado esforços de forma a alcançar novos públicos que possam usufruir de práticas inclusivas, tornando-se centrais, assumindo o seu importante papel na promoção sócio-cultural. A única forma de servirem a sociedade em que se inserem, através da educação, informação, promoção da criatividade, alargamento de horizontes e promoção de novas visões sociais e culturais, é desafiando os estereótipos e combatendo a intolerância. Desta forma, têm de se alterar as agendas museais e, sobretudo, a forma de conceber os projectos e os programas educativos. Alterar filosofias, valores, objectivos e práticas é indispensável para que as audiências aumentem e a comunidade se envolva com o museu. Da mesma forma, é indispensável a eliminação de barreiras, sejam elas, físicas, intelectuais, emocionais, financeiras ou culturais.
Muitos museus têm sofrido pressões sociais no sentido de alterarem os seus comportamentos, através da criação de projectos inclusivos. Em paralelo, são convidados a “prestar contas” sobre o que têm feito, ou estão a fazer, em prol desse objectivo. No entanto, essa pressão leva a que não se proceda da forma mais correcta, provocando a inaplicabilidade e o desânimo por parte das audiências e dos próprios profissionais. Um dos motivos prende-se com a pluralidade do conceito de inclusão. Enquanto uns associam a inclusão a deficientes, outros, associá-lo-ão a (outros) públicos marginalizados, como estrangeiros, grupos étnicos, grupos de estratos económicos baixos, ou até mesmo, por exemplo, aos horários ou preços aplicados. No meio de toda esta panóplia de interpretações, os museus procuram alcançar os grupos sub representados no seu conceito de visitante-tipo, procurando eliminar todos os obstáculos (sociais, económicos, físicos, intelectuais e emocionais), de forma a alcançar o número máximo de audiências.
Mas, tal como refere Richard Sandell, em todos os assuntos controversos, há sempre um outro lado a considerar As queixas são várias e diversificadas. Estas vão desde o desvio dos museus do seu propósito e objectivos, que vêem, através da inclusão social, as suas responsabilidades subvertidas a favor de fins políticos e governamentais, colocando as suas colecções em risco de danos e destruição precoce, atribuindo, aos conservadores, a missão, não de preservar, mas de cativar público, à impossibilidade de contemplação das exposições com a frequente perturbação da inclusão de todos os públicos. A estas críticas a resposta não pode ser outra se não a de que o museu se deve preocupar com as necessidades dos seus visitantes e tentar colmatar as falhas que levam os não visitantes a não verem relevância nestas instituições (Dodd e Sandell, 2001).
As alterações culturais e demográficas obrigam a criação de “boas práticas” museológicas. Ao longo dos anos, os museus foram adquirindo, para além da preservação cultural, valores de educação, turismo e lazer. Agora, torna-se necessário trabalhar as suas perspectivas a nível de discriminação e desigualdade social, em proveito da inclusão de todos os públicos. Obviamente, não serão os museus a trabalhar em contextos políticos e governamentais, na diminuição de padrões sociais, como a pobreza e o crime, mas podem ajudar no aumento de auto-estima e de confiança pessoal, bem como no sentimento de identificação e de pertença, respondendo, desta forma, às questões da desigualdade, injustiça e discriminação.
A relação convencional entre os museus e os seus públicos está a mudar. O tradicional modelo de museu, o museu elitista e autoritário, está cada vez mais instável e em vias de extinção. Actualmente, os museus vêem-se num universo mais lato e vasto, reconhecendo o seu valor e potencial na alteração de conceitos e valores anteriormente encarados como irrelevantes. As novas relações público / museus baseiam-se na participação activa e na partilha da tomada de decisões por parte das audiências (Dodd e Sandell, 2001:76).
Ao falar de exclusão museológica, e dada a diversidade do tema, não se poderia deixar de referenciar os museus do interior, aqueles que ficam fora dos circuitos urbanos e que acabam eles próprios por se sentirem marginalizados face à inclusão cultural. Caberá, desta forma, às Câmaras Municipais, constituírem-se como actor aglutinante ou dinamizador de iniciativas locais que promovam a inclusão social e cultural. O sentimento de impotência em termos interventivos deve-se, normalmente, ao desconhecimento de como actuar, não só face à diversidade, como também á grande extensão de fenómenos de exclusão de origem local que acaba por conduzir à falta de motivação para combater a exclusão.
Há e haverá sempre factores que podem funcionar como obstáculos a uma participação total e eficaz, vindos, muitas vezes, por parte dos indivíduos. Estes, ao invés de terem um envolvimento intensivo e dinâmico, optam por uma atitude passiva e pouco encorajadora. O envolvimento do público-alvo que se pretende atingir é fundamental mas, para isso, é, igualmente, necessária uma conjugação de esforços por parte de todos os agentes e actores, bem como o funcionamento de serviços indispensáveis, o incentivo à participação e a criação de condições necessárias.
Segundo o Instituto Português de Museus (IPM) apenas 20 dos 120 museus portugueses "têm projectos em curso" para pessoas com deficiência, tais como exposições complementadas com audioguias, textos escritos em Braille, instalações com rampas ou elevadores e materiais pedagógicos específicos.
Como já referido, apesar da existência de uma vasta legislação e um enquadramento jurídico que apoia a inclusão, na verdade, os direitos praticados pelas instituições nem sempre obedecem às normas. Tal como refere Ruivo, o direito realmente praticado num processo-acção leva muitas vezes as instituições a obedecerem a sistemas contraditórios de ordem e poder. Até, porque, as instituições tendem a actuar sob sistemas que pretendem atrair audiências enquanto as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS’s) ficam com a responsabilidade do combate à exclusão social.
Tal como refere Caroline Lang (Dodd e Sandell, 2001), Museums and galleries have a significant role to play in promoting social inclusion. A inclusão / exclusão social são conceitos relativamente recentes, a sua origem remonta à década de setenta do século XX, aquando o seu uso em França, para nomear aqueles que não estavam contemplados na Segurança Social, desde aí, o conceito tem vindo a alargar-se e a integrar-se nas várias áreas (social, política, cultural, etc.), significando a desvantagem e desigualdade e acomodando-se a outros conceitos, como a marginalização, pobreza , etc. Simultaneamente, a sua aplicação vulgarizou-se e expandiu-se, ainda que mantenha características estáticas nas várias aplicações do termo (Dodd e Sandell, 2001).
A exclusão social encontra-se intimamente ligada a uma série de elementos, características que normalmente se combinam, como sendo o desemprego, marginalidade, más condições de vida, pobreza e problemas de saúde. Numa aplicação mais direccionada, a nível individual ou de grupo, indica o não acesso a bens, direitos ou serviços, nos diversos aspectos vivenciais, adquirindo uma dimensão cruzada a nível económico, social, politico e cultural.
Parafraseando Dodd e Sandell (2001:14), when the new elite says we must tackle social exclusion such a statement could mean a lot of different things. “Social exclusion” sound like a nasty thing because of its vague association with poverty and deprivation. However, like most key terms in the language of the new elite, “social exclusion” is a radically subjective concept. Anybody can be socially excluded if they feel that way, or what is more often the case, if the new elite thinks they should feel that way. Na prática, os museus enfrentam dificuldades em adaptar as suas colecções a públicos diversificados e se não o fizerem serão acusados de sobrevalorizar as colecções em detrimento das pessoas. Contudo, social exclusion is about the inability of our society to keep all groups and individuals within the reach of what we expect as a society. It is about the tendency to push vulnerable and difficult individuals into the least popular places, furthest away from our common aspirations (Dodd e Sandell, 2001:103).
Ao longo dos últimos anos, os museus têm dilatado esforços de forma a alcançar novos públicos que possam usufruir de práticas inclusivas, tornando-se centrais, assumindo o seu importante papel na promoção sócio-cultural. A única forma de servirem a sociedade em que se inserem, através da educação, informação, promoção da criatividade, alargamento de horizontes e promoção de novas visões sociais e culturais, é desafiando os estereótipos e combatendo a intolerância. Desta forma, têm de se alterar as agendas museais e, sobretudo, a forma de conceber os projectos e os programas educativos. Alterar filosofias, valores, objectivos e práticas é indispensável para que as audiências aumentem e a comunidade se envolva com o museu. Da mesma forma, é indispensável a eliminação de barreiras, sejam elas, físicas, intelectuais, emocionais, financeiras ou culturais.
Muitos museus têm sofrido pressões sociais no sentido de alterarem os seus comportamentos, através da criação de projectos inclusivos. Em paralelo, são convidados a “prestar contas” sobre o que têm feito, ou estão a fazer, em prol desse objectivo. No entanto, essa pressão leva a que não se proceda da forma mais correcta, provocando a inaplicabilidade e o desânimo por parte das audiências e dos próprios profissionais. Um dos motivos prende-se com a pluralidade do conceito de inclusão. Enquanto uns associam a inclusão a deficientes, outros, associá-lo-ão a (outros) públicos marginalizados, como estrangeiros, grupos étnicos, grupos de estratos económicos baixos, ou até mesmo, por exemplo, aos horários ou preços aplicados. No meio de toda esta panóplia de interpretações, os museus procuram alcançar os grupos sub representados no seu conceito de visitante-tipo, procurando eliminar todos os obstáculos (sociais, económicos, físicos, intelectuais e emocionais), de forma a alcançar o número máximo de audiências.
Mas, tal como refere Richard Sandell, em todos os assuntos controversos, há sempre um outro lado a considerar As queixas são várias e diversificadas. Estas vão desde o desvio dos museus do seu propósito e objectivos, que vêem, através da inclusão social, as suas responsabilidades subvertidas a favor de fins políticos e governamentais, colocando as suas colecções em risco de danos e destruição precoce, atribuindo, aos conservadores, a missão, não de preservar, mas de cativar público, à impossibilidade de contemplação das exposições com a frequente perturbação da inclusão de todos os públicos. A estas críticas a resposta não pode ser outra se não a de que o museu se deve preocupar com as necessidades dos seus visitantes e tentar colmatar as falhas que levam os não visitantes a não verem relevância nestas instituições (Dodd e Sandell, 2001).
As alterações culturais e demográficas obrigam a criação de “boas práticas” museológicas. Ao longo dos anos, os museus foram adquirindo, para além da preservação cultural, valores de educação, turismo e lazer. Agora, torna-se necessário trabalhar as suas perspectivas a nível de discriminação e desigualdade social, em proveito da inclusão de todos os públicos. Obviamente, não serão os museus a trabalhar em contextos políticos e governamentais, na diminuição de padrões sociais, como a pobreza e o crime, mas podem ajudar no aumento de auto-estima e de confiança pessoal, bem como no sentimento de identificação e de pertença, respondendo, desta forma, às questões da desigualdade, injustiça e discriminação.
A relação convencional entre os museus e os seus públicos está a mudar. O tradicional modelo de museu, o museu elitista e autoritário, está cada vez mais instável e em vias de extinção. Actualmente, os museus vêem-se num universo mais lato e vasto, reconhecendo o seu valor e potencial na alteração de conceitos e valores anteriormente encarados como irrelevantes. As novas relações público / museus baseiam-se na participação activa e na partilha da tomada de decisões por parte das audiências (Dodd e Sandell, 2001:76).
Ao falar de exclusão museológica, e dada a diversidade do tema, não se poderia deixar de referenciar os museus do interior, aqueles que ficam fora dos circuitos urbanos e que acabam eles próprios por se sentirem marginalizados face à inclusão cultural. Caberá, desta forma, às Câmaras Municipais, constituírem-se como actor aglutinante ou dinamizador de iniciativas locais que promovam a inclusão social e cultural. O sentimento de impotência em termos interventivos deve-se, normalmente, ao desconhecimento de como actuar, não só face à diversidade, como também á grande extensão de fenómenos de exclusão de origem local que acaba por conduzir à falta de motivação para combater a exclusão.
Há e haverá sempre factores que podem funcionar como obstáculos a uma participação total e eficaz, vindos, muitas vezes, por parte dos indivíduos. Estes, ao invés de terem um envolvimento intensivo e dinâmico, optam por uma atitude passiva e pouco encorajadora. O envolvimento do público-alvo que se pretende atingir é fundamental mas, para isso, é, igualmente, necessária uma conjugação de esforços por parte de todos os agentes e actores, bem como o funcionamento de serviços indispensáveis, o incentivo à participação e a criação de condições necessárias.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Inclusão versus conservação?
Quando se pensa no conceito de alguém com a função de conservador, não é inusitado vir à mente a imagem de um indivíduo envergando uma bata branca, rodeado de compostos químicos e estojo de instrumentação, o qual emprega uma terminologia complexa e por vezes inacessível nos diálogos que estabelece com os utentes das instalações afectas ao museu. Esta forma de encarar a pessoa do conservador e a filosofia do “Não Tocar”, adoptada pelos museus, é referida por Richard Sandell, como se pode comprovar pela leitura do excerto abaixo transcrito:
The principal ethic that governs and drives the conservator is to protect and preserve, inevitably resulting in a Dont’t Touch philosophy that can be readily perceived as negative anda t odds with the desire to view, use and enjoy the objects and artefacts held in museums. The process of conserving an object is usually carried out behind closed doors by a few individuals who will develop an intimate knowledge of the object and any consultation regarding the extent and nature of the conservation process is usually limited to the curator. (Dodd e Sandell, 2001:89).
A criação de museus tem como objectivo tornar acessível alguns aspectos culturais ao público em geral, no entanto, o conceito de o museu para todos e com colecções tácteis vai contra o objectivo primordial dos profissionais de museologia, o qual se traduz na conservação dos objectos expostos. Será que se deverá criar réplicas para serem tacteadas? Haverá peças sacrificáveis? Como manusear? Que posição tomar em relação às reservas abertas? Eis algumas das questões com as quais os profissionais de museologia se debatem.
O contacto directo do público com o objecto, o qual não é possível quando o mesmo se encontra num ambiente de vitrina, leva o conservador, de forma automática, a colocar questões sobre a protecção e preservação do objecto a ser manuseado.
Sob o ponto de vista dos objectos é de ressaltar que estes necessitam de condições adequadas de humidade relativa, de temperatura, de luminosidade, de acondicionamento, de manuseamento, de limpeza e de restauro, condições essas que têm de ser respeitadas mas as quais serão violadas através da permissão de interacção com o público. Por outro lado, os críticos que tomam o lugar oposto, justificam a sua tomada de posição, argumentando que são as pessoas que têm necessidades e não os objectos (Dood e Sandell, 2001: 91). Aqui talvez a solução resida no respeito mútuo. Se o público for ensinado a manusear as peças, e alertado para a importância das boas práticas para a perpetuação das mesmas ou, pelo menos, para o aumento da durabilidade dos objectos, poder-se-á chegar a um consenso que apoie ambas as posições. Da mesma forma, os museus devem estar mais atentos às vontades e desejos das possíveis audiências. Também aqui as audiências desempenham um papel importante, na medida em que têm de ser flexíveis na sua aproximação aos objectos. Deste modo, tornar-se-á possível responder às suas necessidades.
No entanto, há sempre excepções que têm de ser ponderadas. Por exemplo, no caso dos cegos, colocar-lhes a obrigatoriedade do uso de luvas, aquando do manuseamento de alguns objectos, é sinónimo de vedar-lhes, novamente, a possibilidade de “ver” ditos objectos, dado que a sensibilidade táctil poderá ser condicionada e alterada, se não mesmo, impossibilitada, em alguns casos.
As decisões nem sempre se apresentam como fáceis e os problemas, por vezes, são de (quase) impossível resolução. Torna-se necessária a existência de um meio-termo, um cruzamento de possibilidades, dadas as características específicas das questões que se colocam. Por vezes, as peças podem ser sacrificadas mas também terão de ser respeitadas todas aquelas que dadas as suas condições particulares não poderão obedecer a critérios tácteis.
The principal ethic that governs and drives the conservator is to protect and preserve, inevitably resulting in a Dont’t Touch philosophy that can be readily perceived as negative anda t odds with the desire to view, use and enjoy the objects and artefacts held in museums. The process of conserving an object is usually carried out behind closed doors by a few individuals who will develop an intimate knowledge of the object and any consultation regarding the extent and nature of the conservation process is usually limited to the curator. (Dodd e Sandell, 2001:89).
A criação de museus tem como objectivo tornar acessível alguns aspectos culturais ao público em geral, no entanto, o conceito de o museu para todos e com colecções tácteis vai contra o objectivo primordial dos profissionais de museologia, o qual se traduz na conservação dos objectos expostos. Será que se deverá criar réplicas para serem tacteadas? Haverá peças sacrificáveis? Como manusear? Que posição tomar em relação às reservas abertas? Eis algumas das questões com as quais os profissionais de museologia se debatem.
O contacto directo do público com o objecto, o qual não é possível quando o mesmo se encontra num ambiente de vitrina, leva o conservador, de forma automática, a colocar questões sobre a protecção e preservação do objecto a ser manuseado.
Sob o ponto de vista dos objectos é de ressaltar que estes necessitam de condições adequadas de humidade relativa, de temperatura, de luminosidade, de acondicionamento, de manuseamento, de limpeza e de restauro, condições essas que têm de ser respeitadas mas as quais serão violadas através da permissão de interacção com o público. Por outro lado, os críticos que tomam o lugar oposto, justificam a sua tomada de posição, argumentando que são as pessoas que têm necessidades e não os objectos (Dood e Sandell, 2001: 91). Aqui talvez a solução resida no respeito mútuo. Se o público for ensinado a manusear as peças, e alertado para a importância das boas práticas para a perpetuação das mesmas ou, pelo menos, para o aumento da durabilidade dos objectos, poder-se-á chegar a um consenso que apoie ambas as posições. Da mesma forma, os museus devem estar mais atentos às vontades e desejos das possíveis audiências. Também aqui as audiências desempenham um papel importante, na medida em que têm de ser flexíveis na sua aproximação aos objectos. Deste modo, tornar-se-á possível responder às suas necessidades.
No entanto, há sempre excepções que têm de ser ponderadas. Por exemplo, no caso dos cegos, colocar-lhes a obrigatoriedade do uso de luvas, aquando do manuseamento de alguns objectos, é sinónimo de vedar-lhes, novamente, a possibilidade de “ver” ditos objectos, dado que a sensibilidade táctil poderá ser condicionada e alterada, se não mesmo, impossibilitada, em alguns casos.
As decisões nem sempre se apresentam como fáceis e os problemas, por vezes, são de (quase) impossível resolução. Torna-se necessária a existência de um meio-termo, um cruzamento de possibilidades, dadas as características específicas das questões que se colocam. Por vezes, as peças podem ser sacrificadas mas também terão de ser respeitadas todas aquelas que dadas as suas condições particulares não poderão obedecer a critérios tácteis.
sexta-feira, 20 de março de 2009
A Conceptualização de Museu
Instituição de carácter permanente, com ou sem personalidade jurídica, sem fins lucrativos, dotada de uma estrutura organizacional que lhe permite:
a) Garantir um destino unitário a um conjunto de bens culturais e valoriza-los através da investigação, incorporação, conservação, interpretação, exposição e divulgação, com objectivos científicos, educativos e lúdicos;
b) Facultar acesso regular ao público e fomentar a democratização da cultura, a promoção da pessoa e o desenvolvimento da sociedade.
Consideram-se museus as instituições, com diferentes designações, que apresentem as características e cumpram as funções museológicas previstas na presente lei para o museu, ainda que o respectivo acervo integre espécies vivas, tanto botânicas como zoológicas, testemunhos resultantes da materialização de ideias, representações de realidades existentes ou virtuais, assim como bens de património cultural imóvel, ambiental e paisagístico.
Esta é a definição de Museu, segundo a Lei-Quadro. Como se constata nas suas alíneas, o Museu encontra-se ao serviço da protecção e conservação do património mas, também, do público. Dita definição não difere da defendida pelo ICOM, na qual o museu se encontra ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, é aberto ao público. Para além disso, deve adquirir, conservar, investigar, comunicar e expôr a evidência material do Homem e do que o rodeia, com o objectivo de estudar, educar e divertir. No entanto, por mais natural que estas missões possam parecer, a verdade é que caracterizam a longa evolução que os museus foram sofrendo ao longo dos anos.
O que é um Museu? Que características deve ter? Que condições deve reunir para o seu reconhecimento? Todas as questões sofreram uma evolução nas suas respectivas respostas. De 1951 a 1983, o museu foi questionado e definindo o seu reconhecimento perante a sociedade, seguindo sempre parâmetros de abertura que modelaram novas formas de actuação. O seu esforço em acompanhar as tendências sociais, não pode deixar de ser reconhecido mas, o museu enfrenta novos desafios que se elevam para além da conservação e exposição, e que se cruzam com a captação de públicos.
Muito tempo separa os Gabinetes de Curiosidades do agora complexo museu contemporâneo massificado, que vê a sua sobrevivência ligada ao desenvolvimento de técnicas de convencimento, nos processos de comunicação e divulgação. A caracterização dos museus deste século, qualificam-no como um espaço de representação para um público cada vez mais heterogéneo e exigente. Não basta, para a sua sobrevivência, a acumulação de história e de tempo, têm de ser activos na busca e satisfação de necessidades, necessidades essas que se prendem, igualmente, com as das pessoas com deficiência que não poderão ser esquecidas no planeamento dos programas museológicos actuais.
a) Garantir um destino unitário a um conjunto de bens culturais e valoriza-los através da investigação, incorporação, conservação, interpretação, exposição e divulgação, com objectivos científicos, educativos e lúdicos;
b) Facultar acesso regular ao público e fomentar a democratização da cultura, a promoção da pessoa e o desenvolvimento da sociedade.
Consideram-se museus as instituições, com diferentes designações, que apresentem as características e cumpram as funções museológicas previstas na presente lei para o museu, ainda que o respectivo acervo integre espécies vivas, tanto botânicas como zoológicas, testemunhos resultantes da materialização de ideias, representações de realidades existentes ou virtuais, assim como bens de património cultural imóvel, ambiental e paisagístico.
Esta é a definição de Museu, segundo a Lei-Quadro. Como se constata nas suas alíneas, o Museu encontra-se ao serviço da protecção e conservação do património mas, também, do público. Dita definição não difere da defendida pelo ICOM, na qual o museu se encontra ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, é aberto ao público. Para além disso, deve adquirir, conservar, investigar, comunicar e expôr a evidência material do Homem e do que o rodeia, com o objectivo de estudar, educar e divertir. No entanto, por mais natural que estas missões possam parecer, a verdade é que caracterizam a longa evolução que os museus foram sofrendo ao longo dos anos.
O que é um Museu? Que características deve ter? Que condições deve reunir para o seu reconhecimento? Todas as questões sofreram uma evolução nas suas respectivas respostas. De 1951 a 1983, o museu foi questionado e definindo o seu reconhecimento perante a sociedade, seguindo sempre parâmetros de abertura que modelaram novas formas de actuação. O seu esforço em acompanhar as tendências sociais, não pode deixar de ser reconhecido mas, o museu enfrenta novos desafios que se elevam para além da conservação e exposição, e que se cruzam com a captação de públicos.
Muito tempo separa os Gabinetes de Curiosidades do agora complexo museu contemporâneo massificado, que vê a sua sobrevivência ligada ao desenvolvimento de técnicas de convencimento, nos processos de comunicação e divulgação. A caracterização dos museus deste século, qualificam-no como um espaço de representação para um público cada vez mais heterogéneo e exigente. Não basta, para a sua sobrevivência, a acumulação de história e de tempo, têm de ser activos na busca e satisfação de necessidades, necessidades essas que se prendem, igualmente, com as das pessoas com deficiência que não poderão ser esquecidas no planeamento dos programas museológicos actuais.
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