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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Como lidar com a diferença?



(créditos da imagem: Jean Braz da Costa | Jacqueline Mayumi Matsushita | Amanda Meincke Melo)

Muitas pessoas não deficientes ficam confusas quando encontram uma pessoa com deficiência. Isso é natural. Todos nós podemos nos sentir desconfortáveis diante do "diferente". Esse desconforto diminui e pode até mesmo desaparecer quando existem muitas oportunidades de convivência entre pessoas deficientes e não deficientes.

Não faça de conta que a deficiência não existe. Se você se relacionar com uma pessoa deficiente como se ela não tivesse uma deficiência, você vai estar ignorando uma característica muito importante dela. Dessa forma, você não estará se relacionando com ela, mas com outra pessoa, uma que você inventou, que não é real.

Aceite a deficiência. Ela existe e você precisa levá-la na sua devida consideração. Não subestime as possibilidades, nem super estime as dificuldades e vice-versa.

As pessoas com deficiência têm o direito, podem e querem tomar suas próprias decisões e assumir a responsabilidade por suas escolhas.

Ter uma deficiência não faz com que uma pessoa seja melhor ou pior do que uma pessoa não deficiente.

Provavelmente, por causa da deficiência, essa pessoa pode ter dificuldade para realizar algumas actividades e, por outro lado, poderá ter extrema habilidade para fazer outras coisas. Exactamente como todo mundo.

A maioria das pessoas com deficiência não se importa de responder a perguntas, principalmente aquelas feitas por crianças, a respeito da sua deficiência e como ela realiza algumas tarefas. Mas, se você não tem muita intimidade com a pessoa, evite fazer muitas perguntas muito íntimas.

Quando quiser alguma informação de uma pessoa deficiente, dirija-se directamente a ela e não a seus acompanhantes ou intérpretes.

Sempre que quiser ajudar, ofereça ajuda. Sempre espere sua oferta ser aceite, antes de ajudar. Sempre pergunte a forma mais adequada para fazê-lo. Mas não se ofenda se seu oferecimento for recusado. Pois, nem sempre, as pessoas com deficiência precisam de auxílio. Às vezes, uma determinada actividade pode ser mais bem desenvolvida sem assistência.

Se você não se sentir confortável ou seguro para fazer alguma coisa solicitada por uma pessoa deficiente, sinta-se livre para recusar. Neste caso, seria conveniente procurar outra pessoa que possa ajudar.

As pessoas com deficiência são pessoas como você. Têm os mesmos direitos, os mesmos sentimentos, os mesmos receios, os mesmos sonhos.

Você não deve ter receio de fazer ou dizer alguma coisa errada. Se ocorrer alguma situação embaraçosa, uma boa dose de delicadeza, sinceridade e bom humor nunca falham.


Pessoas cegas ou com deficiência visual
Nem sempre as pessoas cegas ou com deficiência visual precisam de ajuda, mas se encontrar alguma que pareça estar em dificuldades, identifique-se, faça-a perceber que você está falando com ela, para isso pode por exemplo tocar-lhe levemente no braço, e ofereça seu auxílio. Nunca ajude sem perguntar antes como deve fazê-lo.

Caso sua ajuda como guia seja aceita, coloque a mão da pessoa no seu cotovelo dobrado. Ela irá acompanhar o movimento do seu corpo enquanto você vai andando.

É sempre bom você avisar, antecipadamente, a existência de degraus, pisos escorregadios, buracos e obstáculos em geral durante o trajecto.

Num corredor estreito, por onde só é possível passar uma pessoa, coloque o seu braço para trás, de modo que a pessoa cega possa continuar seguindo você.

Para ajudar uma pessoa cega a sentar-se, você deve guiá-la até a cadeira e colocar a mão dela sobre o encosto da cadeira, informando se esta tem braço ou não. Deixe que a pessoa sente-se sozinha.

Ao explicar direcções para uma pessoa cega, seja o mais claro e específico possível, de preferência, indique as distâncias em metros ("uns vinte metros a sua frente").

Algumas pessoas, sem perceber, falam em tom de voz mais alto quando conversam com pessoas cegas. A menos que a pessoa tenha, também, uma deficiência auditiva que justifique isso, não faz nenhum sentido gritar. Fale em tom de voz normal.

Por mais tentador que seja acariciar um cão-guia, lembre-se de que esses cães têm a responsabilidade de guiar um dono que não enxerga. O cão nunca deve ser distraído do seu dever de guia.

As pessoas cegas ou com visão sub normal são como você, só que não enxergam. Trate-as com o mesmo respeito e consideração que você trata todas as pessoas.

No convívio social ou profissional, não exclua as pessoas com deficiência visual das actividades normais. Deixe que elas decidam como podem ou querem participar.

Proporcione às pessoas cegas ou com deficiência visual a mesma chance que você tem de ter sucesso ou de falhar.

Fique a vontade para usar palavras como "veja" e "olhe". As pessoas cegas as usam com naturalidade.

Quando for embora, avise sempre o deficiente visual.

Lembre-se que nem sempre um cego é colega de outro cego.

Estudante cego
Os estudantes com deficiência visual não têm a mesma possibilidade que os seus colegas em tirar apontamentos das aulas, recorrendo à gravação. Caso o docente se oponha, deverá fornecer atempadamente, ao estudante, elementos referentes ao conteúdo de cada aula.<

Nas aulas deverão ser evitados termos como "isto" ou "aquilo", uma vez que não têm significado para um estudante que não vê.

Quando utilizar o quadro, o docente deverá ler o que escreveu para que, ao ouvir a gravação da aula, o estudante tenha a noção do que foi escrito.

Se usar transparências o docente poderá proceder do seguinte modo:

antes do início da aula fornecer ao estudante uma cópia em Braille (ou em caracteres ampliados ou mesmo em suporte digital), e se isso não for possível, fornecer no final uma cópia;

Durante a apresentação identificar e ler o conteúdo da transparência.

Quando recorrer a quadros, figuras ou slides deverá descrever o seu conteúdo. Alguns estudantes que não nasceram cegos, que ainda conservam algum resíduo visual, têm uma memória residual de objectos, figuras, etc.


Pessoas surdocegas
Ao aproximar-se de um surdocego deixe que se aperceba, com um simples toque, da sua presença.

Qualquer que seja o meio de comunicação adoptado faça-o gentilmente.

Combine com ele um sinal para que ele o identifique.

Aprenda e use qualquer que seja o método de comunicação que ele saiba, mesmo que elementar. se houver um método saiba mesmo que elementar.

Se houver um método mais adequado que lhe possa ser útil ajude-o a aprender.

Tenha a certeza de que ele o está a perceber e que você também o está a perceber a ele.

Encoraje-o a usar a fala se ele conseguir mesmo que ele saiba apenas algumas palavras.

Se estiverem outras pessoas presentes avise-o quando for apropriado para ele falar.

Avise-o sempre do que o rodeia.

Informe-o sempre de quando se vai embora, mesmo que seja por um curto espaço de tempo. Assegure-se que fica confortável e em segurança. Se não estiver vai precisar de algo para se apoiar durante a sua ausência, coloque a mão dele no que servirá de apoio. Nunca o deixe sozinho num ambiente que não lhe seja familiar.

Mantenha-se próximo dele para que ele se aperceba da sua presença.

Ao andar deixe-o apoiar-se no braço, nunca o empurre à sua frente.

Utilize sinais simples para o avisar da presença de escadas, uma porta ou um carro.

Um surdocego que esteja a apoiar-se no seu braço aperceber-se-á de qualquer mudança do seu andar.

Confie na sua cortesia, consideração e senso comum. Serão de esperar algumas dificuldades na comunicação.


Pessoas com deficiência física
É importante saber que para uma pessoa sentada é incómodo ficar olhando para cima por muito tempo, portanto, ao conversar por mais tempo que alguns minutos com uma pessoa que usa cadeira de rodas, se for possível, lembre-se de sentar, para que você e ela fiquem com os olhos no mesmo nível.

A cadeira de rodas (assim como as bengalas e muletas) é parte do espaço corporal da pessoa, quase uma extensão do seu corpo. Agarrar ou apoiar-se na cadeira de rodas é como agarrar ou apoiar-se numa pessoa sentada numa cadeira comum. Isso muitas vezes é simpático, se vocês forem amigos, mas não deve ser feito se vocês não se conhecem.

Nunca movimente a cadeira de rodas sem antes pedir permissão para a pessoa.

Empurrar uma pessoa em cadeira de rodas não é como empurrar um carrinho de supermercado. Quando estiver empurrando uma pessoa sentada numa cadeira de rodas e parar para conversar com alguém, lembre-se de virar a cadeira de frente para que a pessoa também possa participar da conversa.

Ao empurrar uma pessoa em cadeira de rodas, faça-o com cuidado. Preste atenção para não bater nas pessoas que caminham à frente. Para subir degraus, incline a cadeira para trás para levantar as rodinhas da frente e apoiá-las sobre a elevação. Para descer um degrau, é mais seguro fazê-lo de marcha à ré, sempre apoiando para que a descida seja sem solavancos. Para subir ou descer mais de um degrau em sequência, será melhor pedir a ajuda de mais uma pessoa.

Se você estiver acompanhando uma pessoa deficiente que anda devagar, com auxílio ou não de aparelhos ou bengalas, procure acompanhar o passo dela.

Mantenha as muletas ou bengalas sempre próximas à pessoa deficiente.

Se achar que ela está em dificuldades, ofereça ajuda e, caso seja aceite, pergunte como deve fazê-lo. As pessoas têm suas técnicas pessoais para subir escadas, por exemplo, e, às vezes, uma tentativa de ajuda inadequada pode até mesmo atrapalhar. Outras vezes, a ajuda é essencial. Pergunte e saberá como agir e não se ofenda se a ajuda for recusada.

Se você presenciar um tombo de uma pessoa com deficiência, ofereça ajuda imediatamente. Mas nunca ajude sem perguntar se e como deve fazê-lo.

Esteja atento para a existência de barreiras arquitectónicas quando for escolher uma casa, restaurante, teatro ou qualquer outro local que queira visitar com uma pessoa com deficiência física.

Pessoas com paralisia cerebral podem ter dificuldades para andar, podem fazer movimentos involuntários com pernas e braços e podem apresentar expressões estranhas no rosto. Não se intimide com isso. São pessoas comuns como você. Geralmente, têm inteligência normal ou, às vezes, até acima da média.

Se a pessoa tiver dificuldade na fala e você não compreender imediatamente o que ela está dizendo, peça para que repita. Pessoas com dificuldades desse tipo não se incomodam de repetir se necessário para que se façam entender.

Não se acanhe em usar palavras como "andar" e "correr". As pessoas com deficiência física empregam naturalmente essas mesmas palavras.


Pessoas com paralesia cerebral
Quando você encontrar um Paralisado Cerebral, lembre-se que ele tem necessidades específicas, por causa de suas diferenças individuais. Para lidar com esta pessoa, temos as seguintes sugestões:

É muito importante respeitar o ritmo do PC, usualmente ele é mais vagaroso no que faz, como andar, falar, pegar as coisas, etc.

Tenha paciência ao ouvi-lo, a maioria tem dificuldade na fala. Há pessoas que confundem esta dificuldade e o ritmo lento com deficiência mental.

Não trate o PC como uma criança ou incapaz.

Lembre-se que o PC não é um portador de doença grave ou contagiosa, a paralisia cerebral é fruto da lesão cerebral, ocasionada antes, durante ou após o nascimento, causando desordem sobre os controles dos músculos do corpo. Portanto, não é doença e tampouco transmissível. É uma situação.

Trate a pessoa com deficiência com a mesma consideração e respeito que você usa com as demais pessoas.


Pessoas surdas ou com deficiência auditiva
Não é correcto dizer que alguém é surdo-mudo. Muitas pessoas surdas não falam porque não aprenderam a falar. Muitas fazem a leitura labial, outras não.

Quando quiser falar com uma pessoa surda, se ela não estiver prestando atenção em você, acene para ela ou toque, levemente, em seu braço.

Quando estiver conversando com uma pessoa surda, fale de maneira clara, pronunciando bem as palavras, mas não exagere. Use a sua velocidade normal, a não ser que lhe peçam para falar mais devagar.

Use um tom normal de voz, a não ser que lhe peçam para falar mais alto. Gritar nunca adianta.

Fale directamente com a pessoa, não de lado ou atrás dela.

Faça com que a sua boca esteja bem visível. Gesticular ou segurar algo em frente à boca torna impossível a leitura labial. Usar bigode também atrapalha.

Quando falar com uma pessoa surda, tente ficar num lugar iluminado. Evite ficar contra a luz (de uma janela, por exemplo), pois isso dificulta ver o seu rosto.

Se você souber alguma linguagem de sinais, tente usá-la. Se a pessoa surda tiver dificuldade em entender, avisará. De modo geral, suas tentativas serão apreciadas e estimuladas.

Seja expressivo ao falar. Como as pessoas surdas não podem ouvir mudanças subtis de tom de voz que indicam sentimentos de alegria, tristeza, sarcasmo ou seriedade, as expressões faciais, os gestos e o movimento do seu corpo serão excelentes indicações do que você quer dizer.

Enquanto estiver conversando, mantenha sempre contacto visual, se você desviar o olhar, a pessoa surda pode achar que a conversa terminou.

Nem sempre a pessoa surda tem uma boa dicção. Se tiver dificuldade para compreender o que ela está dizendo, não se acanhe em pedir para que repita. Geralmente, as pessoas surdas não se incomodam de repetir quantas vezes for preciso para que sejam entendidas.

Se for necessário, comunique-se através de bilhetes. O importante é se comunicar. O método não é tão importante.

Quando a pessoa surda estiver acompanhada de um intérprete, dirija-se à pessoa surda, não ao intérprete.

Algumas pessoas mudas preferem a comunicação escrita, algumas usam linguagem em código e outras preferem códigos próprios. Estes métodos podem ser lentos, requerem paciência e concentração. Talvez você tenha que se encarregar de grande parte da conversa.

Tente lembrar que a comunicação é importante. Você pode ir tentando com perguntas cuja resposta seja sim/não. Se possível ajude a pessoa muda a encontrar a palavra certa, assim ela não precisará de tanto esforço para passar sua mensagem. Mas não fique ansioso, pois isso pode atrapalhar sua conversa.


Pessoas com deficiência mental
Você deve agir naturalmente ao dirigir-se a uma pessoa com deficiência mental.

Trate-as com respeito e consideração. Se for uma criança, trate como criança. Se for adolescente, trate-a como adolescente. Se for uma pessoa adulta, trate-a como tal.

Não as ignore. Cumprimente e despeça-se delas normalmente, como faria com qualquer pessoa.

Dê atenção a elas, converse e vai ver como será divertido. Seja natural, diga palavras amistosas.

Não super proteja. Deixe que ela faça ou tente fazer sozinha tudo o que puder. Ajude apenas quando for realmente necessário.

Não subestime sua inteligência. As pessoas com deficiência mental levam mais tempo para aprender, mas podem adquirir muitas habilidades intelectuais e sociais.

Lembre-se: o respeito está em primeiro lugar e só existe quando há troca de ideias, informações e vontades. Por maior que seja a deficiência, lembre-se da eficiência da pessoa que ali está.

As pessoas com deficiência mental, geralmente, são muito carinhosas.

Deficiência mental não deve ser confundida com doença mental.

Se você chegou até aqui, certamente se importa com o assunto. A maior barreira não é arquitectónica, mas a falta de informação e pré conceitos.

Informação disponível em: http://www.prodam.sp.gov.br/acess/ e http://www.mbonline.com.br/cedipod/index.htm

Fonte: LerParaVer

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Até onde poderei sonhar!

O jornalista Mario Augusto, da SIC, por nós conhecido pelas entrevistas a estrelas de cinema, levou alguns anos a fazer uma reportagem a que chamou "Até onde poderei sonhar" que retrata a vida de pessoas com paralisia cerebral que conseguiram ultrapassar as suas limitações.

Para quem não teve possibilidade de a ver na televisão, aqui fica!

domingo, 8 de março de 2009

Escrever para todos - Testes | Métodos

Existem alguns métodos e testes estudados de forma a conseguir utilizar uma linguagem simples que possa ser apreendida por todos os visitantes de um museu, independentemente da sua idade, etnia, idade, habilitações literárias ou mesmo deficiência.

Método Ekarov
Margareta Ekarov desenvolveu a teoria do método Ekarov enquanto escrevia textos para o Swedish Postal Museum, a experiência adveio-lhe da escrita de livros para aulas de literacia dadas a adultos. Observando as condições em que muitas vezes os visitantes dos museus liam os textos de parede, isto é, entre muita gente, com pouca luminosidade, de pé, sob o ruído produzido pelos outros visitantes e/ou por visitas orientadas, etc., verificou que o nível de concentração e compreensão destes visitantes nestas condições menos favoráveis era idêntico ao de pessoas com baixo nível de literacia.

Desta forma, as condições necessárias para uma compreensão total dos textos passava pelo respeito a certas normas de escrita:
- Linguagem simples
- Frases curtas
- Apenas uma ideia principal por linha e o fim da linha deve coincidir com o fim natural da frase
- Respeitar a ordem natural do discurso
- Cada linha deve ter no máximo 45 caracteres
- Cada parágrafo não deve exceder 4 / 5 linhas
- Os verbos devem ser todos colocados na voz activa
- O sujeito deve estar enunciado no início da frase
- O texto deve reflectir o ritmo do discurso oral

No entanto, Rebekah Moran chama a atenção para o uso deste método, tem de se ter cuidado porque a simplificação levada ao extremo pode desvalorizar os conceitos ou torná-los incompreensíveis, ou por outro lado, retirar informação necessária à sua compreensão.

Fog Index
O Fog Índex é um método de calcular a dificuldade de leitura e compreensão dos textos. Tal como o Ekarov Method aconselha normas de escrita simples.
A análise do grau de acessibilidade dos textos é feita através da contagem de palavras.
O teste faz-se da seguinte forma:
1.º Contar 100 palavras até ao fim da frase completa mais próxima;
2.º Contar o número de frases construídas até obter o número máximo de 100 palavras.
3.º Dividir o número de palavras pelo número de frases, desta forma, descobre-se o número médio de palavras por frase.

Teste Fog Index
Para medir o nível de análise de textos escritos foi estabelecido um teste que identifica o nível de leitura, o nível médio situa-se entre o 7 e o 8, a partir de 12 apresenta dificuldade de leitura para a maior parte das pessoas.
Para testar o nível do texto conte o número de palavras, de frases e das palavras com três ou mais sílabas. Em seguida proceda à obtenção de médias.
a) Para calcular a dificuldade de uma frase: dividir o número de frases pelo número de total de palavras
b) Para calcular a percentagem de palavras difíceis: Dividir o número total de palavras pelo número de palavras com três ou mais sílabas
Para chegar ao nível Fog Índex: somar a média obtida no cálculo da dificuldade (a) pela percentagem de palavras difíceis (b) e multiplique o resultado obtido por 4 (quatro), o número que obtiver é o indicador da dificuldade geral do texto.

Tabela exemplificativa
Número de palavras X
Número de frases Y
Número de palavras com três ou mais sílabas Z
Calcular grau de dificuldade Y / X = A
Calcular percentagem de palavras difíceis X / Y = B%
Somar o grau de dificuldade com a percentagem de palavras difíceis A + B = C
Multiplicar o resultado obtido na tarefa anterior por 4 C x 4 = D
Grau de dificuldade do texto D

Testemunho de uma mãe

Quando a minha filha me pediu um depoimento para utilizar no relatório do seu estagio, curiosamente, sobre a acessibilidade de pessoas com deficiência, foi um pouco difícil “descer à realidade” de todos os dias e pô-la no papel. Sou uma mulher comum, porém diferente por ter a pouca sorte de ter tido um filho deficiente. Ao princípio não foi nada fácil. Tornou-se muito complicado e doloroso aceitar a ideia de que o meu filho, tão desejado, apresentava uma paralisia cerebral.

Nós, cidadãos comuns, parece que vivemos habitualmente à parte desse mundo, sempre com a ideia de que isso só acontece aos outros. Também por essa razão me custava compreender este drama por que estava a passar. Não quero com isto, dizer que agora, 18 anos depois, já seja fácil lidar com este sofrimento, já que isso é falso! O que acontece é que quando nos encontramos nestas situações problemáticas na vida, somos obrigados a "inventar" forças, a procurar coragem e resistência. Penso que já me convenci de que a vida é assim mesmo. Por isso, resta-me pedir a Deus que me dê saúde e força para continuar a tratar do meu filho, que tanto precisa de mim! O que seria dele sem a família? Nem sequer quero imaginar…

Devo dizer que os apoios ao princípio foram nulos. Apesar de ter mantido sempre o cartão de vacinas actualizado, de ter frequentado centros de saúde e hospitais, só foi encaminhado para o Ensino Especial quando chegou à idade escolar. A partir daí, o Ensino Especial disponibilizou uma professora para o apoiar em casa, mas até isso acabou a partir do momento em que “deixou de ter idade” para ser assistido por uma professora primária. Também, de vez em quando, vou com o meu filho ao Centro de Paralisia Cerebral em Coimbra, é lá que tem as suas consultas de clínica geral, fisioterapia, ortopedia, etc. Há uns anos tentei que fosse inserido num centro perto de casa, mas estava “sem vagas”. A única solução era que fosse para o infantário mas, infelizmente, sei que não iria ter a assistência necessária, pela falta de pessoal especializado. Tentei ainda que fosse autorizado a utilizar a piscina municipal, já que ele adora o contacto com a água, mas foi-me recusada, ele não tem controlo sobre as suas necessidades fisiológicas e isso levantaria vários problemas no controlo da qualidade da agua, disseram-me. Abdiquei então de uma carreira profissional e optei por ser eu a tratar dele, em casa. É certo que não sou terapeuta da fala, nem fisioterapeuta, nem tenho qualquer outro curso que me ajude a desenvolver as suas capacidades… Para isso necessitaria de muitas coisas que sozinha, e em casa, não lhe posso oferecer, mas tem muito amor.

Sinto, ainda, que os deficientes em Portugal continuam desprotegidos e abandonados. Assim, a evolução ou desenvolvimento das suas capacidades tem sido praticamente nula ou muito limitada.

No entanto, o facto de amar o meu filho e sentir que ele não conseguiria sobreviver, se algo lhe acontecesse, dá-me mais força. Temos que continuar a lutar, por nós e por eles. Desta forma, devemos esforçar-nos para lhes tornarmos os dias mais felizes, levando-os a passear, aos restaurantes, aos museus, a acontecimentos sociais, enfim, a todos os lados.

Segundo os médicos, devemos procurar boa disposição e ânimo, já que eles, no seu mundo próprio, sofrem com o sofrimento dos pais, apercebendo-se sempre dos problemas e preocupação da família mais próxima.
Além de tudo isto, fui obrigada a ultrapassar o sofrimento de quatro hospitalizações para efectuar cirurgias; não se descreve a impotência por que passamos nestas alturas em que os vemos sofrer e não conseguimos fazer nada.

Sinceramente, não sei exprimir, no papel, por palavras, aquilo que tem sido a minha vida, com um filho com paralisia cerebral. Vê-lo chorar, sem saber o que lhe dói, é cruel. Reforço, por último, a ideia de que precisamos de continuar a lutar, não só contra as nossas recaídas, mas também contra todas as instituições que vivem alheadas destes problemas.



Mãe do Quitó

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Paralisia Cerebral

Por norma o cidadão com paralisia cerebral sofre de múltiplas deficiências o que torna a sua assistência mais complicada. Para que a comunicação seja eficazmente estabelecida tenha em conta os seguintes aspectos:

- O portador de paralisia cerebral pode sofrer desde pequenas a profundas perturbações motoras;
- Pode manifestar dificuldade na fala, tal como, na visão e audição;
- Nas pessoas que sofrem de espasmos o coro permanece constantemente em movimento, sem nenhum controlo motor, deste modo, em vez de receber um sorriso pode surgir uma careta e na tentativa de falar, apenas uma confusão de sons ou de palavras;
- O relacionamento com este tipo de deficientes requer muita paciência.